Relacionar-se é revisitar todas as suas relações passadas

12/07/2017

Relacionamentos amorosos são em geral uma das principais fontes de bem-estar, autoestima positiva e gratificação. Porém, para alguns os relacionamentos representam exatamente o inverso.

Relacionamentos amorosos são em geral uma das principais fontes de bem-estar, autoestima positiva e gratificação. Porém, para alguns os relacionamentos representam exatamente o inverso: uma fonte de sofrimento, angústia e insegurança. Certas pessoas se veem incapazes de alterar a sua forma de se relacionar, repetindo incessantemente modelos abusivos, agressivos, prejudiciais de relacionamento, independentemente do esforço colocado em tentar mudar esse padrão. No tratamento psicoterápico, alguns sentimentos mais dolorosos como abandono, medo, ou raiva devem ser trabalhados e a o modelo de relação que a pessoa tem como referência primordial precisa ser explorado e revisitado.

A insegurança e uma autoestima baixa são questões a serem trabalhadas numa terapia que busca melhorar a nossa forma de nos relacionar com o outro e com nós mesmos. A insegurança está intimamente relacionada com a imagem interna que carregamos de nós mesmos. Reconhecer primeiramente os contornos dessa imagem é um passo importante de sensibilização para que possamos nos aproximar de nós mesmos e potencialmente vir a perdoar traços que vemos como falhos, ou inadequados. Tendemos a nos julgar incessantemente, muitas vezes sem nem perceber como e quando fazemos isso. Identificar esse tipo de comportamento inconsciente e aprender a mudá-lo acontece ao longo de uma terapia. Dentro da abordagem formativa, entende-se que a experiência emocional está diretamente relacionada com atitudes musculares de nosso corpo, assim identificando-as, podemos influenciar a nós mesmos.

Numa terapia de cunho psicanalítico, espera-se que o paciente construa uma relação de confiança com o seu analista e que possa assim adentrar questões profundas de sua relação consigo mesmo e com os outros. Muitas vezes repetimos um modelo de amor que aprendemos com nossos pais e que pode ser disfuncional, pois eles também não aprenderam a fazer diferente e repetiram o que aprenderam quando criança. Numa relação terapêutica esses modelos são revisitados e suas estruturas são desestabilizadas para dar espaço ao novo, mais adaptado ao mundo e as necessidades atuais enquanto adulto.


Arthur Régis Dubrule

Crp: 06/132300