Curso em Paris sobre a primeira infância

24/01/2018

Um pouco do que aprendi sobre autismo e prevenção precoce nessa semana extremamente intensa de estudos psicanalíticos e transdisciplinares em Paris.

Estudos conjuntos de psicanálise e epigenética liderados pela psicanalista franco-brasileira Marie Christine Laznik, que ministrou palestras e seminários que tive a oportunidade de assistir aqui em Paris essa semana, comprovam que é possível reverter quadros de risco de autismo.

Vale a pena assistir a esse vídeo, que é um pouco antigo, pois a pesquisa (hoje já finalizada e publicada) ainda estava em andamento quando foi filmado, mas que explica bem o que essa abordagem tem de revolucionário na compreensão do autismo.

Em resumo, o bebê nasceria com uma predisposição genética que favoreceria o enclausuramento em si mesmo, o que desencadearia uma espiral negativa de não relacionamento com os seus cuidadores. Assim esse mesmo bebê deixaria de se desenvolver na relação, o que naturalmente vai gerar atrasos cognitivos importantes e um desinteresse total pelo outro.

Na intervenção precoce (menos de um ano de idade) ainda seria possível reverter esse desinteresse pelo outro investindo esse bebê de prazer na relação e revertendo uma predisposição genética através da sua epigenética, que pressupõe uma plasticidade cerebral que pode alterar o genoma, essencialmente nos primeiros meses de vida.

Para os psicanalistas, essa intervenção se dá no terceiro tempo do circuito pulsional: no momento em que o bebê comum se faz objeto do desejo do outro, ou seja ele sente prazer em dar prazer para a sua mãe, ou o seu cuidador. Terceiro tempo que jamais seria atingido pelo sujeito autista.